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Estreia no Brasil pílula natural

20 de março de 2011 | postado por Cinthya Leite

Confira abaixo a matéria sobre Qlaira, publicada hoje (20/3) na Revista JC

Cinthya Leite
cleite@jc.com.br

SÃO PAULO – Do mesmo jeito que os vários tipos de insulina usados no tratamento da diabete são idênticos ao hormônio insulina produzido pelo pâncreas, um novo contraceptivo oral ganhou fórmula com componente igualzinho ao estrogênio produzido pelo ovário. A pílula, que contém valerato de estradiol, acaba de estrear no Brasil como um anticoncepcional natural que, entre outros benefícios, colabora para a redução do fluxo menstrual.

Pílula deve ser usada sem interrupção. Comprimidos da cartela levam doses diferentes de hormônios de acordo com fases do ciclo (Foto: Divulgação)

“A matéria-prima para fabricar o componente é derivada de vegetais. Por síntese, dá para fazê-lo em laboratório idêntico ao originado pelo organismo da mulher”, explica o ginecologista César Eduardo Fernandes, professor da Faculdade de Medicina do ABC (Santo André/SP) e presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp).

Foi ele quem abriu, na terça, o evento de lançamento de Qlaira, o novo anticoncepcional que combina o valerato de estradiol e dienogeste – este último é o componente progestagênico com características muito semelhantes às da progesterona produzida pela mulher e, por tabela, pode ter efeitos semelhantes ao da própria progesterona. Atualmente, as outras pílulas utilizam um estrogênio sintético, o etinilestradiol, que é absorvido pelo intestino e passa pelo fígado, onde é metabolizado.

“É uma substância que chega ao sangue sem modificações e pode alterar a coagulação sanguínea, aumentando o risco de formação de trombos que podem bloquear o fluxo sanguíneo”, avisa César, que alerta para o fato de o tromboembolismo venoso (TEV) ser bem raro em mulheres jovens, embora não impossível. “Com o estrogênio natural, reduzem-se as possibilidades de impactos metabólicos negativos no organismo, mas ainda não podemos dizer que o novo contraceptivo pode ser usado em quem tem histórico de TEV.”

Ou seja, no pós-lançamento, depois que Qlaira passar a ser usado por um número grande de mulheres, os especialistas poderão constatar se há possíveis riscos (não observados durante os estudos clínicos da medicação) – uma conduta comum com qualquer fármaco que entra no mercado.

Páginas da Revista JC com a matéria sobre Qlaira

Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelos órgãos regulatórios de medicamentos de outros 25 países, o contraceptivo oral natural custa aproximadamente R$ 35 nas farmácias e oferece bônus que vão além da anticoncepção. É que o produto permite um bom controle do ciclo menstrual e ainda diminui o risco de esquecimento.

Afinal, é uma pílula que deve ser usada de forma contínua, sem intervalo entre uma cartela e outra. É essa condição que oferece a possibilidade de as mulheres deixarem de ter o sangramento entre as cartelas. “E os estudos também mostraram que, quando ele ocorre, pode vir durante menos dias e com intensidade de fluxo reduzida”, afirma César.

Diferentemente das demais pílulas, Qlaira não tem todos os comprimidos da cartela com dosagens iguais de estrogênio e progestagênico. As quantidades de valerato de estradiol e de dienogeste variam de acordo com o ciclo. Nos primeiros dois dias, os comprimidos só contêm estradiol. Nos dias seguintes, a mulher toma o estradiol e o dienogeste em dosagens que variam. No 23º e 24º dias, os comprimidos só têm estradiol, e os dois últimos são inativos.

“É esse regime de administração que leva as usuárias de Qlaira terem uma perda sanguínea bem menor, em comparação com aquelas que tomam outro produto anticoncepcional de referência, que associa etinilestradiol com levonorgestrel”, informa o ginecologista.

Não ter que conviver com o sangramento menstrual é um desejo de muitas mulheres, segundo revelou boa parte das 1.111 mulheres que participaram de um levantamento realizado pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas, (Cemicamp), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foram ouvidas participantes de cinco cidades brasileiras, incluindo o Recife. Entre as entrevistadas, 81,1% afirmaram que a menstruação poderia durar menos de três dias.

“E 90% disseram que usariam uma pílula capaz de diminuir o volume de sangramento”, diz o ginecologista Carlos Alberto Petta, da Unicamp e um dos pesquisadores. “Além disso, 45% ficam preocupadas em tomar anticoncepcionais.” Para ele, a chegada de um contraceptivo com estrogênio natural pode mudar a percepção de medo que muitas mulheres ainda têm diante do uso de um produto com hormônios.

Sobre o uso de Qlaira, faz-se extremamente importante abrir um parêntese: não é pelo fato de ser natural que esse anticoncepcional deve ser usado por qualquer mulher. “Aquelas já estão acostumadas com a pílula que tomam habitualmente não precisam mudar. E é bom ficar claro que a singularidade de cada paciente é um quesito primordial na prescrição de qualquer contraceptivo”, ressalta o mastologista Afonso Nazário, chefe do departamento de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os especialistas ainda são enfáticos ao afirmar que os anticoncepcionais orais disponíveis são seguros para quem não tem fator de risco nem contraindicação para usá-los. “Todos controlam a fertilidade e não são nocivos para quem pode tomá-los”, assegura Petta, que completa: “A escolha da mulher e a decisão do médico se baseiam geralmente nos benefícios adicionais à anticoncepção”.

Enquanto algumas pílulas evitam a gravidez e ajudam a diminuir o inchaço corporal no período menstrual, outras impedem também a gestação e dão uma mãozinha na diminuição em vários outros sintomas da tensão pré-menstrual. São fatores que realmente pesam na preferência e dependem de mulher para mulher.

» A repórter viajou a convite da Bayer Schering Pharma

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  1. [...] (Revista JC de hoje também traz matéria sobre Qlaira. Clique aqui para ler) [...]

 
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