* Matéria publicada no JC Online: http://goo.gl/sXzOS

Raissa Moura, membro de grupo de pesquisa da UFPE, apresenta em Brasília teste que avalia o olfato (Foto: Cinthya Leite/JC)
BRASÍLIA – O olfato e o paladar são sentidos que estão no mesmo patamar da visão, da audição e do tato. Todos são importantes para o processo de aprendizagem e desenvolvimento do indivíduo, pois estimulam a percepção, a memória e a linguagem.
É o que garante a fonoaudióloga Raissa Moura, mestranda em saúde da comunicação humana pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela ministrou palestra sobre o assunto durante o 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que terminou ontem (3/11) em Brasília.
“É importante avaliarmos o olfato e paladar em nossos pacientes com doenças crônicas, pois alterações nesses sentidos podem favorecer o desequilíbrio do processo de salivação, de mastigação e de deglutição”, diz Raissa, que faz parte do grupo de pesquisa Patofisiologia do sistema estomatognático da UFPE, liderado pelos fonoaudiólgos Hilton Justino e Daniele Andrade da Cunha.
Como base para debater o tema, Raissa analisa estudos que mostram como a detecção precoce das disfunções olfatórias e gustatórias pode levar a um tratamento efetivo, por retardar a progressão das enfermidades que as ocasionam e por atenuar a severidade dos sintomas.
“Há artigos que revelam que indivíduos com rinite alérgica, por exemplo, tendem a apresentar alteração do olfato. Outros dão pistas sobre uma possível relação entre transtornos invasivos do desenvolvimento, como o autismo, e dificuldades de reconhecimento olfativo”, afirma a especialista.
Ela também chama atenção para os distúrbios neurodegenerativos, como a doença de Parkinson, cujos primeiros sintomas podem ser alterações no olfato. “Então, podemos observar que as funções olfatórias e gustatórias devem ser avaliadas por nós, fonoaudiólogos, a fim de os nossos pacientes terem uma melhor qualidade de vida na convivência com doenças crônicas”, assegura.
A preocupação maior de Raissa vem da lacuna em pesquisas sobre o assunto na área da fonoaudiologia. “Ainda há um caminho longo a ser percorrido, embora já possamos contar com publicação que avalia a percepção do gosto salgado em portadores de obstrução nasal e com outro estudo que analisa a percepção sensorial em crianças com transtorno específico de linguagem.”
Além disso, ela menciona artigos que nasceram do grupo de pesquisa Patofisiologia do sistema estomatognático da UFPE. A terapeuta ocupacional Ada Salvetti, pesquisadora da equipe, fez um levantamento das avaliações e das alterações do olfato e do paladar em pacientes que passaram pela laringectomia total – tratamento cirúrgico devido do câncer de laringe. “Ada também publicou outro artigo que mostra como é importante a reabilitação das funções olfatórias e gustatórias nesses pacientes”, complementa Raissa.
Todo esse apurado é inspiração para a dissertação de mestrado da fonoaudióloga, que estuda a caracterização do olfato e do paladar em crianças com respiração oral. “Para analisar essa população infantil, vamos recorrer a vários procedimentos, como um teste das tiras gustativas que avalia o paladar. Em breve, teremos os resultados e pretendemos oferecer apoio aos respiradores orais”, finaliza Raissa.
* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia







