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Avaliação do olfato e paladar pode ajudar pacientes com doenças crônicas

4 de novembro de 2012 | postado por Cinthya Leite

* Matéria publicada no JC Online: http://goo.gl/sXzOS

Raissa Moura, membro de grupo de pesquisa da UFPE, apresenta em Brasília teste que avalia o olfato (Foto: Cinthya Leite/JC)

BRASÍLIA – O olfato e o paladar são sentidos que estão no mesmo patamar da visão, da audição e do tato. Todos são importantes para o processo de aprendizagem e desenvolvimento do indivíduo, pois estimulam a percepção, a memória e a linguagem.

É o que garante a fonoaudióloga Raissa Moura, mestranda em saúde da comunicação humana pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela ministrou palestra sobre o assunto durante o 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que terminou ontem (3/11) em Brasília.

“É importante avaliarmos o olfato e paladar em nossos pacientes com doenças crônicas, pois alterações nesses sentidos podem favorecer o desequilíbrio do processo de salivação, de mastigação e de deglutição”, diz Raissa, que faz parte do grupo de pesquisa Patofisiologia do sistema estomatognático da UFPE, liderado pelos fonoaudiólgos Hilton Justino e Daniele Andrade da Cunha.

Como base para debater o tema, Raissa analisa estudos que mostram como a detecção precoce das disfunções olfatórias e gustatórias pode levar a um tratamento efetivo, por retardar a progressão das enfermidades que as ocasionam e por atenuar a severidade dos sintomas.

“Há artigos que revelam que indivíduos com rinite alérgica, por exemplo, tendem a apresentar alteração do olfato. Outros dão pistas sobre uma possível relação entre transtornos invasivos do desenvolvimento, como o autismo, e dificuldades de reconhecimento olfativo”, afirma a especialista.

Ela também chama atenção para os distúrbios neurodegenerativos, como a doença de Parkinson, cujos primeiros sintomas podem ser alterações no olfato. “Então, podemos observar que as funções olfatórias e gustatórias devem ser avaliadas por nós, fonoaudiólogos, a fim de os nossos pacientes terem uma melhor qualidade de vida na convivência com doenças crônicas”, assegura.

A preocupação maior de Raissa vem da lacuna em pesquisas sobre o assunto na área da fonoaudiologia. “Ainda há um caminho longo a ser percorrido, embora já possamos contar com publicação que avalia a percepção do gosto salgado em portadores de obstrução nasal e com outro estudo que analisa a percepção sensorial em crianças com transtorno específico de linguagem.”

Além disso, ela menciona artigos que nasceram do grupo de pesquisa Patofisiologia do sistema estomatognático da UFPE. A terapeuta ocupacional Ada Salvetti, pesquisadora da equipe, fez um levantamento das avaliações e das alterações do olfato e do paladar em pacientes que passaram pela laringectomia total – tratamento cirúrgico devido do câncer de laringe. “Ada também publicou outro artigo que mostra como é importante a reabilitação das funções olfatórias e gustatórias nesses pacientes”, complementa Raissa.

Todo esse apurado é inspiração para a dissertação de mestrado da fonoaudióloga, que estuda a caracterização do olfato e do paladar em crianças com respiração oral.  “Para analisar essa população infantil, vamos recorrer a vários procedimentos, como um teste das tiras gustativas que avalia o paladar. Em breve, teremos os resultados e pretendemos oferecer apoio aos respiradores orais”, finaliza Raissa.

* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

Fonoaudiólogos são contra a banalização dos exercícios, que podem provocar rugas quando realizados sem orientação (Foto: Divulgação - Site stock.xchng)

BRASÍLIA – Rugas, marcas de expressão e flacidez podem ser evitadas e suavizadas através de tratamento fonoaudiológico, que consiste numa série de massagens e exercícios individualizados capazes de promover uma estética facial harmoniosa. Esse é um dos temas que se sobressaem no 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que termina hoje (3/11) em Brasília.

“A amenização das marcas de expressão facial ocorre graças a terapêuticas específicas que promovem o equilíbrio da musculatura e a reeducação das funções da fala, deglutição, mastigação e respiração. Tudo isso estimula um ganho estético”, diz a fonoaudióloga Silvia Regina Pierotti, professora do curso de especialização em motricidade orofacial do Cefac.

Ela chama atenção para o fato de que o tratamento fonoaudiológico não é sinônimo de ginástica facial. “A nossa terapêutica, muito criteriosa, é feita de acordo com as necessidades de cada pessoa. Por isso, somos contra a banalização dos exercícios, que podem provocar rugas quando realizados sem orientação”, ressalta a especialista.

Os procedimentos, não invasivos, são indicados para pacientes que têm o costume de contrair a musculatura exageradamente e de forma repetida, seja por algum problema orgânico ou por movimentos na musculatura da face inconscientes e inadequados. “Até mesmo alterações mastigatórias podem provocar sulcos, que também podem aparecer em pessoas com rinite alérgica que desenvolvem o hábito recorrente de fungar”, acrescenta.

É bom frisar que nem todos os casos de estética facial são resolvidos através de tratamento fonoaudiológico. “Em muitas situações, precisamos indicar o paciente para um dermatologista ou cirurgião plástico. Quando a pessoa apresenta perda de gordura facial decorrente do envelhecimento ou marcas no rosto devido à exposição solar intensa e sem proteção, indicamos para um médico”, frisa Silvia.

Para promover a estética facial harmoniosa, é preciso o fonoaudiólogo trabalhar a conscientização do paciente sobre a contração da musculatura da face (Foto: Divulgação - Site stock.xchng)

E nos casos de comprometimento estético por causa de discrepância óssea na face, recomenda-se primeiramente a cirurgia ortognática – procedimento que tem como objetivo a correção das imperfeições faciais relacionadas aos posicionamentos inadequados dos maxilares. “Só depois desse procedimento é que o paciente será submetido a uma avaliação que analisa se há necessidade de tratamento fonoaudiológico”, informa Silvia.

Ela salienta que a terapêutica capaz de promover a estética facial harmoniosa tem como base a conscientização do paciente, que passa a compreender o motivo, a maneira e a frequência com que contrai a musculatura da face. “Em muitos casos, é possível ter ganho com a fonoterapia, sem recorrer a intervenções cirúrgicas e a preenchimentos. Vale destacar, no entanto, que, é necessário a pessoa se submeter à cirurgia plástica e a procedimentos dermatológicos em outras situações”, conclui Silvia Regina Pierotti.

* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

"O Brasil não possui uma política de identificação das crianças com dislexia", diz Bianca Queiroga (Júlio Gomes / +iMAGEM!)

BRASÍLIA – Discutir propostas sobre o planejamento de situações que favorecem a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças é um dos temas que fazem parte da programação do 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que termina amanhã em Brasília (3/11).

Nesse contexto, especialistas têm defendido o projeto de lei da deputada federal Mara Gabrilli (SP), que traça linhas importantes para o diagnóstico precoce e o atendimento educacional específico para crianças e jovens com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (caracterizado por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade) e também com dislexia. Este último distúrbio é classificado como uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica que favorece o aparecimento de problemas com a fluência correta na leitura e com a habilidade de decodificação e soletração.

A possibilidade de aprovação dessa proposta abre um panorama otimista porque, no Brasil, ainda há um universo obscuro em relação à dislexia. É o que diz a presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia, Bianca Queiroga. “O País não possui uma política de identificação das crianças com essa dificuldade de aprendizagem”, diz.

E por essa população com dislexia não ser detectada tão facilmente no âmbito familiar e nas escolas, deve haver um leque imenso de crianças e adolescentes sem acompanhamento educacional adequado. “Usamos estatísticas americanas para apresentar o universo de pessoas com o distúrbio, o que não é o ideal”, lamenta Bianca.

(Clique aqui e leia o que o Casa Saudável já publicou sobre dislexia)

Essa situação obscura, que contribui com a não identificação correta dos jovens com dislexia, é uma faca de dois gumes: de um lado, nem todos aqueles com o transtorno são diagnosticados. Por outro, muitas crianças que apresentam algum grau de déficit de aprendizado já são taxadas de portadoras de dislexia sem, de fato, possuírem o distúrbio.

“Às vezes, o aluno enfrenta um certo obstáculo para compreender os assuntos porque o processo educacional não é satisfatório. Isso não significa que o estudante tem dislexia ou qualquer outro problema”, destaca Bianca Queiroga. É por isso que é fundamental os pais e a escola ficarem atentos aos diversos fatores que contribuem para um desequilíbrio entre a transmissão e a aquisição de conhecimento.

* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

Aplicativos ajudam crianças com autismo, distúrbios de fala e linguagem

1 de novembro de 2012 | postado por Cinthya Leite

Bárbara Fernandes criou a empresa Smarty Ears, que já contabiliza mais de 40 aplicativos para crianças com atrasos de fala e linguagem (Foto: Cinthya Leite)

BRASÍLIA – Cada vez mais, os recursos tecnológicos têm dado a mão à fonoaudiologia, com a intenção de oferecer benefícios à comunicação das pessoas e consequentemente melhorar a qualidade de vida delas. Inspirada nesse cenário, a fonoaudióloga Bárbara Fernandes desenvolveu uma série de aplicativos para crianças que apresentam problemas de voz e linguagem, gagueira e autismo.

As ferramentas estão sendo apresentadas no 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que vai até o próximo sábado (3/11), em Brasília. “Tive a ideia de desenvolver esse trabalho quando passei a atender uma criança com autismo e que despertou o interesse pela terapia ao interagir com a tela touchscreen do smartphone”, diz Bárbara, que criou o primeiro aplicativo em 2009 e, sem planejar, logo se viu elaborando outros.

Foi assim que ela criou a empresa Smarty Ears, que já conta com mais de 40 aplicativos e hoje é referência, nos Estados Unidos, em ferramentas tecnológicas para crianças com atrasos de fala e linguagem, com gagueira, autismo e síndrome de Down. Os aplicativos estão disponíveis para venda na App Store, com preços que variam de R$ 20 a R$ 100. Há 11 opções em português, 50 em inglês e 8 em espanhol.

(Cliquei aqui e conheça todos os aplicativos)

A popularição do trabalho de Bárbara no território americano se explica pelo fato de ela morar em Dallas há 10 anos. Baiana, ela foi estudar na Filadélfia aos 19 anos, quando estava na graduação de fonoaudiologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que tem convênio de cooperação internacional com a Temple University. Foi lá onde ela terminou o curso de fonoaudiologia. Em seguida, ela fez mestrado na University of Texas e, desde então, estabeleceu-se nos Estados Unidos, investindo na Smarty Ears.

O aplicativo Respondendo Perguntas é destinado a crianças com atraso de linguagem

“O foco da empresa é criar produtos que possam ser utilizados por fonoaudiólogos e pelas crianças que têm distúrbios da fala ou linguagem. Através dos aplicativos, é possível promover as competências de comunicação apropriadas”, explica a fonoaudióloga.

Ela ainda acrescenta que, pelo fato de a criança ter o aprendizado estimulado através do tato, da visão e da audição, o iPad é interessante para o desenvolvimento infantil, se for usado de forma adequada. Há casos em que os pequenos, após aprenderem a manusear o produto, conseguem até usar as ferramentas sozinhas. Outros realmente precisam de ajuda durante fonoterapia ou durante diversão com pais.

Interessante é que, após cada sessão lúdica, os aplicativos emitem um relatório sobre o desempenho da criança. Assim, é possível acompanhar a evolução da garotada ao longo do processo terapêutico, através da comparação dos documentos apresentados após cada terapia.

“No Brasil, contabilizamos 30 downloads diários dos nossos aplicativos na App Store. Nos Estados Unidos, esse número já chega a 300″, diz Bárbara. Ela já lançou, em língua inglesa, um aplicativo para adultos com afasia – distúrbio caracterizado pela diminuição das funções de linguagem. O produto, que se chama I name it, estará disponível em português.

* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

Atuação fonoaudiológica é fundamental nas redes de cuidados em AVC

30 de outubro de 2012 | postado por Cinthya Leite

Entre as sequelas do AVC, estão comprometimentos na fala, na linguagem e na deglutição (Imagem: Divulgação - Site stock.xchng)

BRASÍLIA – O Ministério da Saúde chamou atenção ontem (29/10), no Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), para os perigos desse problema popularmente conhecido como derrame, que atinge 16 milhões de pessoas no mundo anualmente e causa um óbito a cada seis segundos. Só no Brasil, o número de vítimas fatais pelo problema chega a quase 100 mil pessoas. E mais: atualmente, segundo o Ministério da Saúde (MS), o AVC é responsável pela primeira causa de mortes registradas no Brasil.

Para juntar forças capazes de reduzir a taxa de mortalidade e de oferecer qualidade de vida a quem sobrevive a esse problema, que acontece quando as artérias que irrigam o cérebro sofrem uma obstrução, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) promove o Simpósio Interdepartamental sobre Acidente Vascular Cerebral, durante o 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, que começa amanhã (31/10) em Brasília.

A fonoaudióloga Roberta Gonçalves da Silva, doutora em fisiopatologia em clínica médica, é uma das palestrantes que participam da mesa de debates sobre Redes de Cuidados em AVC: perspectivas da atuação fonoaudiológica. A discussão toma como mote a criação da Linha do Cuidado do AVC na rede de atenção às urgências e emergências para o atendimento integral ao paciente. Essa política de atendimento, instituída em abril deste ano pelo Ministério da Saúde, consolidou a importância da atuação de vários profissionais de saúde para o acompanhamento de casos de derrames.

“Mais de 80% das pessoas que vivenciam um AVC apresentarão sequelas em graus que diferem de paciente para paciente. Entre as consequências do problema, está uma série de comprometimento na fala, na linguagem e na deglutição”, diz Roberta Gonçalves da Silva, que é coordenadora do Departamento de Disfagia da SBFa. Ela destaca que, graças à atuação dos fonoaudiólogos especializados no segmento, as pessoas que enfrentam um derrame contam com um diagnóstico cada vez mais rápido das sequelas e também com um programa de reabilitação eficaz.

“Entre aqueles indivíduos que ficam com algum comprometimento após o AVC, podemos afirmar que 90% deles manifestam disfagia, sintoma que consiste na dificuldade de deglutir”, esclarece a especialista. Nessas situações, também é comum a disfagia orofaríngea, caracterizada como a dificuldade de transportar o alimento da boca até o estomago.

“Isso pode levar à entrada de alimento nos pulmões, o que abre portas para o desenvolvimento de pneumonias. Nesse cenário, entra o fonoaudiólogo, que ajuda os pacientes a reestabelecerem a alimentação de forma segura”, complementa. Sem essa reabilitação, diga-se de passagem, o indivíduo corre o risco de ter prejudicada a condição nutricional.

A especialista ainda assegura que atualmente, para os prejuízos de linguagem, de fala e de deglutição no AVC, há programas de reabilitação fonoaudiológica consolidados e com controle de eficácia terapêutica. Em miúdos, significa dizer que a atuação do fonoaudiólogo tem como objetivo reconstruir a linguagem, aumentar a compreensão da fala, facilitar a comunicação e a sociabilização do paciente.

“E todo esse processo deve começar no hospital, onde as pessoas que vivenciaram um AVC contam com oportunidades para reestabelecimento da saúde. Geralmente, após a alta, é preciso continuar esse atendimento em domicílio ou em serviços especializados”, conclui Roberta.

Saiba mais sobre o assunto: www.brasilsemavc.com.br. Clique aqui e leia um dos posts já publicados pelo Casa Saudável sobre AVC.

* A jornalista viajou a convite da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

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